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Sei que essa é a hora em que eu deveria tentar te impressionar, falando sobre como eu sou legal e blá, blá, blá... Mas eu não sou boa nisso.
Entenda, eu sou feita de histórias meio sem pé nem cabeça, e a minha capacidade de fazer propaganda de mim mesma é igual a de um comercial de cigarros ilustrando uma vida saudável. Não cola. Você só releva e aceita, se for mesmo aquilo que estava procurando.
Entenda, eu sou feita de histórias meio sem pé nem cabeça, e a minha capacidade de fazer propaganda de mim mesma é igual a de um comercial de cigarros ilustrando uma vida saudável. Não cola. Você só releva e aceita, se for mesmo aquilo que estava procurando.
Eu até sou convincente quando se trata de criar empatia com aqueles seus amigos chatos, que ficam destilando teorias machistas em tom de brincadeira, na mesa do bar. Eu entro no clima. Me divirto. Bebo junto e dou largas risadas. Sou especialista em não me levar a sério. Mas experimente você, tentar não me levar a sério. É sério, isso me faz querer ir embora na mesma hora. E você sabe que eu vou. E não volto.
Você sabe que eu sou feita de impulsos e impressões. Se por um momento, sentir que sou menos importante pra você do que deveria ser nesse estágio da nossa relação, não há força no mundo capaz de me segurar ao seu lado. Eu sumo, com a mesma velocidade com que você olha para o lado quando uma menina atraente passa por nós. Não vai saber nem pra que lado eu fui. E acredite, eu não sou dessas que desiste fácil. Mas quando eu firmo pé que não quero mais: Ah, daí já era, meu bem! Não adianta ligar, mandar flores, se declarar em aeroportos antes do voo, ou escalar a minha janela no meio da noite. Não tem mais volta. Eu elevo o meu muro de orgulho na altura máxima, e não tem quem o derrube ou atravesse. É assim que as coisas são por aqui. Se acostume. Se quer, ótimo. Faça por onde. Se não, então siga adiante, e vá para a próxima parada. Eu te desejo sorte e tudo de bom.
Mas entendo que as coisas não estejam saindo como você planejou. Há uma infinidade de detalhes que nós ainda não acertamos. Sobre como vamos nos despir dos nossos cansaços diários, conciliar a nossa falta de tempo com essa crescente vontade de dividir nossas dores. Eu acredito que estando ela ali, presente, nós vamos encontrar uma forma. Vamos dar um jeito de nos comprometermos com essa troca constante de desejos, prazeres e hábitos, que funciona como um afrodisíaco natural para os nossos pensamentos, e nos faz querer mais e mais, afinar nossas cumplicidades.
Eu mal consigo controlar a vontade de te ver de novo, confesso. Há uma necessidade urgente gritando em mim, ela não cala diante de nenhuma justificativa plausível. Acredite, eu já tentei. Mentir pra mim mesma é uma das coisas mais estúpidas que já fiz, e foi tentando te esquecer que eu fiz isso. Não deu muito certo. Percebi que você faz falta, nos momentos mais inusitados do dia, num café em meio ao trabalho, numa vaga para estacionar onde cabem dois carros, nas promoções absurdas de uma loja virtual de produtos importados. Eu deveria ir no Procon reclamar da sua demora em chegar na minha vida. Porque queria você logo aqui, ao alcance das minhas ilusões, indo de encontro às minhas esperanças. Para te ter apenas por ter, te sentir, como quem sente e não se preocupa em entender o que está sentindo. Para te observar distraído e ter essa certeza crescendo secretamente em mim, de que nós fomos feitos para suportar um ao outro.
E não me importar em ter ganas de uma namorada chata, fingindo ser só complicada, ou geniosa e difícil, quando no fundo só não quero assumir o quanto você mexe comigo. Nada que eu demonstre, porque meu amor-próprio não deixa. Mas é algo que você desperta em mim. Com esse seu jeito de quem não quer nada com nada, e parece ter tudo o que precisa. Você me faz sentir tão livre, que naturalmente, eu acabo desejando só pertencer a você. Ser sua e de mais ninguém. Mas você não precisa saber disso. É mais uma daquelas coisas que ficam implícitas nos gestos e atitudes que eu não demonstro. Mas vez por outra, derrapo na curva e subitamente, eles me entregam. E quando você pensar ter certeza, eu vou jurar e negar até a morte, e afirmar que você está louco, se achando a última bolacha recheada do pacote.
Mas a verdade verdadeira é que eu adoro me sentir assim. Adoro essa harmonia entre meus sentidos e meu corpo. Adoro poder me entregar a alguém, e saber com quem estou lidando. Adoro sua maneira toda peculiar de fazer as coisas. E ter, acima de tudo, essa certeza de que depois que eu adormecer e estiver vulnerável, você não vai a lugar nenhum. Ao menos, não tão longe, que não possa te esperar com o café pronto. Adoro contemplar seus olhos de paisagens longínquas, viajar no gosto de descoberta dos seus lábios. Você deve pensar que eu estou sendo atrevida, mas é só a minha forma de te confidenciar em segredo: Isso pra mim é intimidade. E vou te contar uma coisa, por enquanto, você meio que está merecendo, está conquistando a minha admiração, e isso é difícil, porque eu sou exigente com seres da sua espécie. Estou percebendo em você, algo raro. Ainda não tive tempo de testar para ver se é de verdade. Se depois da meia-noite a carruagem não vai virar abóbora. Mas até então, você está me fazendo rever meus conceitos sobre a coexistência pacífica de seres do sexo oposto.
Nunca achei que isso fosse possível. Mas conviver com você, pra minha considerável surpresa, parece fácil. Se for um engano, ou um plano seu para me deixar totalmente na sua: Bem, odeio admitir, mas está funcionando. E você está sendo tão convincente que até me sinto tola quando questiono suas afirmações desencontradas. Na verdade, elas fazem bastante sentido, e não há nada errado com elas. Sou eu que sou assim, contraditória, e suspeito de tudo que seja bom demais para parecer verdade. No fundo, eu acho que sou só mais uma garota como tantas por aí, tentando provar pra si mesma, que existe alguém digno da sua confiança, que o amor não é só uma promessa ilusória, e que por mais que você desconfie, ainda é sempre melhor fechar os olhos quando for beijar alguém.
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